O que eu aprendi sobre visitas de obra depois de perder um cliente
Um processo de visita de obra que funciona. Baseado em erros reais, não teoria de manual.
Era uma reforma de apartamento em Pinheiros. Terceiro mês de obra. O cliente me liga furioso porque a posição do ponto de água da cozinha estava errada. Quinze centímetros fora do lugar. A bancada de mármore já tinha chegado. Não encaixava.
Eu tinha visitado a obra três vezes durante a fase de instalações. Não anotei nada.
“Mas vocês discutiram isso?”, perguntou o cliente. “Discutimos, sim. Com o encanador.” “E ele confirmou?” ”…”
Não tinha como provar. Não tinha foto. Não tinha registro de quem estava presente. Palavra contra palavra.
Perdi o cliente. E a indicação que ele ia fazer pro irmão que estava comprando apartamento.
O problema não é esquecer de verificar. É não ter como provar.
Todo arquiteto sabe o que precisa checar numa obra. Prumo, nível, posição dos pontos, qualidade do acabamento. Isso a gente aprende na faculdade. O que ninguém ensina é que documentação mal feita custa caro.
Não só dinheiro. Custa credibilidade. Custa noites de sono. Custa aquela sensação horrível de saber que você estava certo mas não conseguir demonstrar.
O que eu mudei depois disso
Passei a tratar cada visita como se fosse virar prova num processo. (Dramático? Talvez. Mas funciona.)
Antes de sair do escritório:
Olho as anotações da última visita. Não o projeto, as anotações. O que ficou pendente? O mestre tinha dúvida sobre alguma coisa? O cliente pediu alguma mudança?
Comparo com o cronograma. Se a alvenaria deveria estar pronta e não está, eu já chego sabendo que preciso entender o atraso. Não é surpresa.
No carro, antes de entrar na obra:
Anoto a data, hora, e olho pro céu. Sol? Nublado? Choveu de manhã? Parece bobagem até o dia que a pintura descasca e você precisa saber se aplicaram com umidade.
Primeira coisa quando entro:
Registro quem está presente. Nome do mestre, quais pedreiros, se tem eletricista ou encanador, se o cliente está lá. Isso já me salvou três vezes de discussões de “eu não estava nessa reunião”.
O truque das fotos que ninguém conta
Todo mundo tira foto de obra. Quase ninguém tira foto que serve pra alguma coisa.
O erro clássico: close demais. Você fotografa o problema de perto, perfeito, nítido. Três meses depois não faz ideia se aquela parede é do quarto ou da sala.
Minha regra: duas fotos sempre. Uma geral mostrando onde você está no ambiente. Outra do detalhe. Na ordem. Sempre.
E na hora. Não depois. “Vou anotar quando chegar no escritório” é o mesmo que “vou esquecer metade”.
O que verificar depende da fase
Na fundação, eu fico obcecado com ferragem. Posição das esperas, bitola correta, espaçadores no lugar. Depois que concreta, acabou. Não tem como consertar sem demolir.
Na alvenaria, esquadro. Cantos fora de 90 graus viram pesadelo na hora de instalar móveis. Trena laser ajuda, mas uma simples conferência com o esquadro de pedreiro já pega 80% dos problemas.
Nas instalações é onde a maioria dos problemas acontece. Eu confiro cada ponto contra o projeto. Não “mais ou menos no lugar certo”. Exatamente no lugar certo. Tomada que fica atrás do móvel é tomada inútil.
No acabamento, caimento. Áreas molhadas sem caimento adequado viram piscina. Jogo água no piso antes de aprovar. Sempre.
Sobre materiais: um minuto que economiza semanas
Uma olhada rápida no canteiro onde guardam os materiais. Estão protegidos de chuva? Estão usando a marca especificada?
Já peguei obra usando porcelanato diferente do especificado. “É equivalente”, disse o mestre. Não era. A espessura era diferente, o paginamento não batia com o projeto.
Trocaram. Mas se eu não tivesse olhado, teria virado problema meu.
Os erros que eu ainda vejo todo mundo cometendo
Não comparar com a visita anterior. Se você apontou um problema na terça e na sexta ele continua lá, alguma coisa está errada. Ou o responsável não entendeu a urgência, ou você não deixou claro quem deveria resolver. De qualquer forma, precisa escalar.
Confiar em acordo verbal. “Combinamos que ia ser assim” não serve de nada sem registro. Não precisa ser formal. Uma mensagem no WhatsApp com foto já ajuda. Mas precisa existir.
Não registrar condições de segurança. Eu não sou técnico de segurança, mas se vejo obra sem proteção em vão de escada ou equipe sem capacete, anoto. Se acontece acidente depois, pelo menos tenho registro de que sinalizei.
A real
Visita de obra bem feita não é sobre ter um checklist bonito. É sobre criar um histórico que protege você e o cliente.
Quando surge uma divergência (e vai surgir), quem tem documentação ganha. Não porque está certo, mas porque consegue provar.
Depois daquela reforma em Pinheiros, nunca mais perdi discussão por falta de registro. Perdi por outros motivos, claro. (Nem sempre a gente está certo.) Mas nunca mais por não conseguir demonstrar o que aconteceu.
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